segunda-feira, 11 de maio de 2009

Andar de ônibus é coisa de chinês!



Esta idéia de desabafar coletivamente é muito boa. Estive analisando e cheguei a uma conclusão patenteável: andar de ônibus é coisa de chinês, apesar de eles preferirem a bicicleta. Isso porque não andaram um pouco mais por nossas plagas. Desde a espera no ponto até o traslado (essa palavra é um tanto fúnebre) é um exercício de paciência e os chineses são mestres nessa área. Uma pisada no pé, uma acotovelada onde não devia, um calor infernal, umas curvas que mais parecem treino de arremeço de peso, cai gente prá todo lado. Hi!!! Parece que alguém deixou o desodorante vencer. Não tem problema é só abrir a janela(inha). Puxa! Tá emperrada. Até chegar ao destino não há muito o que fazer. É melhor ficar quieto como os gatos quando estão na tocaia. Concentrar, dispender menos energia possível prá dar o salto na hora certa. Mas, tem espaço para alguma gentileza.
_ Quer que eu leve sua bolsa?
_Ah! Quero sim.
E vai bolsa, sacolas com compras de algum supermercado, com aquele cheirinho de alho novo bem "debaixo do nariz", cebola, maçã e o abacaxi prá sobremesa...Parada solicitada. Ufa!!! Cheguei! No ponto, outros aventureiros embarcam em nova viagem. E dá-lhe passageiro! Os velhinhos reclamam na descida porque o batalhão de navegantes bloqueia a porta. Uma retardatária tenta atravessar a rua, equilibrando em cima de uma plataforma de uns 10 centímetros, para pegar o azulão ou era o vermelhão? Bolsa a tiracolo, sacola na mão direita, dinheirinho trocado na outra(previdente a moça!). Está perto.
_ Não posso perder esse, porque dana tudo!
O azulão relincha o motor, o motorista pisa no acelerador e começa a sair do ponto de embarque/desembarque. Ela corre afobada. O motô, nem te ligo! De repente, ele dá uma freadinha.
_ Graças e Deus, ele vai me esperar.
Lêdo engano. Foi só um instante de desafogamento. O azulão sai em disparada. O motô olha pelo retrovisor com indiferença, o "agente de bordo", faz que não viu nada. A moça perde a compostura. Solta o latinório. Chifrudo, idiota, imbecil, vai dar com a cara no poste. Sobrou apelido prá mãe do moto e pragas para contemplar até a quinta geração do suposto chifrudo. No ponto de parada ou sofrimento como queiram, algumas pessoas contêm o riso(estou me adaptando ainda às reformas ortográficas), outras fingem que nada está acontecendo, mas há ainda aquelas que se solidarizam:
_Não é fácil não! Outro dia, aconteceu comigo a mesma coisa. Quase denunciei o motô, mas esqueci o número do ônibus e ficou tudo na mesma.
Pensando bem, são nessas horas que eles se vingam do salário baixo, do calor intenso o dia inteiro, da rotina, do entra e saí de passageiros, do chefe chato, do barulho do motor na cabeça e daquelas situações frequentes:
_Oh motô, esse ônibus vai no raio que o parta? Não senhor, mas passa perto. Será que vou ter de andar muito? Não sei não senhor, depende de onde o senhor quer ir. Pode ser que o carro que vem atras "seje melho"...Ele vai prá Não sei onde que é pertinho.
Enquanto isso, a moça da plataforma(quase esqueci dela) empina os ombros, recupera o fôlego e depois da desopilada do fígado com o palavrório gasto, a alternativa era esperar o próximo azulão ou vermelhão?

Texto enviado pela nossa amiga e jornalista JAL FERREIRA....
Valeu Jal, show de bola....

Um comentário:

  1. É sofrida msm essa vida de "andar em ônibus'...azul, amarelo (uaaaaaaaaaaaaahhhhh), vemelho..., não importa a cor, o sofrimento é coletivo! hahahaha...difícil demais...

    Bjs

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