
_ Quer que eu leve sua bolsa?
_Ah! Quero sim.
E vai bolsa, sacolas com compras de algum supermercado, com aquele cheirinho de alho novo bem "debaixo do nariz", cebola, maçã e o abacaxi prá sobremesa...Parada solicitada. Ufa!!! Cheguei! No ponto, outros aventureiros embarcam em nova viagem. E dá-lhe passageiro! Os velhinhos reclamam na descida porque o batalhão de navegantes bloqueia a porta. Uma retardatária tenta atravessar a rua, equilibrando em cima de uma plataforma de uns 10 centímetros, para pegar o azulão ou era o vermelhão? Bolsa a tiracolo, sacola na mão direita, dinheirinho trocado na outra(previdente a moça!). Está perto.
_ Não posso perder esse, porque dana tudo!
O azulão relincha o motor, o motorista pisa no acelerador e começa a sair do ponto de embarque/desembarque. Ela corre afobada. O motô, nem te ligo! De repente, ele dá uma freadinha.
_ Graças e Deus, ele vai me esperar.
Lêdo engano. Foi só um instante de desafogamento. O azulão sai em disparada. O motô olha pelo retrovisor com indiferença, o "agente de bordo", faz que não viu nada. A moça perde a compostura. Solta o latinório. Chifrudo, idiota, imbecil, vai dar com a cara no poste. Sobrou apelido prá mãe do moto e pragas para contemplar até a quinta geração do suposto chifrudo. No ponto de parada ou sofrimento como queiram, algumas pessoas contêm o riso(estou me adaptando ainda às reformas ortográficas), outras fingem que nada está acontecendo, mas há ainda aquelas que se solidarizam:
_Não é fácil não! Outro dia, aconteceu comigo a mesma coisa. Quase denunciei o motô, mas esqueci o número do ônibus e ficou tudo na mesma.
Pensando bem, são nessas horas que eles se vingam do salário baixo, do calor intenso o dia inteiro, da rotina, do entra e saí de passageiros, do chefe chato, do barulho do motor na cabeça e daquelas situações frequentes:
_Oh motô, esse ônibus vai no raio que o parta? Não senhor, mas passa perto. Será que vou ter de andar muito? Não sei não senhor, depende de onde o senhor quer ir. Pode ser que o carro que vem atras "seje melho"...Ele vai prá Não sei onde que é pertinho.
Enquanto isso, a moça da plataforma(quase esqueci dela) empina os ombros, recupera o fôlego e depois da desopilada do fígado com o palavrório gasto, a alternativa era esperar o próximo azulão ou vermelhão?
Texto enviado pela nossa amiga e jornalista JAL FERREIRA....
Valeu Jal, show de bola....
É sofrida msm essa vida de "andar em ônibus'...azul, amarelo (uaaaaaaaaaaaaahhhhh), vemelho..., não importa a cor, o sofrimento é coletivo! hahahaha...difícil demais...
ResponderExcluirBjs